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A MODA E O MEIO AMBIENTE

A moda é cíclica e vem se reformulando a cada década, criando tecidos novos com texturas diferentes, buscando engajamento na nova era reciclável, incluindo-se no conceito de desenvolvimento sustentável.

            Entretanto, há conceitos de moda que persistem  no erro do uso de pele de animais a cada inverno que se inicia. Como sabemos a moda é lançada na Europa e se alastra pelo mundo com as tendências mais fortes estabelecidas pelos grandes nomes da área. A moda de inverno se inicia no período entre outubro e novembro na Europa e chega ao Brasil nesta época, com as mesmas inclinações estabelecidas nos outros Países.

            Este é um erro do passado em que insistimos em manter, desde a época do Brasil Imperial, o uso de roupas pesadas feitas com tecidos importados era sinônimo de nobreza, esta moda ou meio de demonstrar classe social diferenciada trouxe uma série de problemas para aqueles que precisavam se portar como tal, ocasionando inclusive doenças como febre alta, o que na época era motivo de morte, por deficiência de medicamentos, causado muitas vezes pelo calor intenso ocasionado pelo uso destas vestimentas num país tropical como o nosso.

            Da mesma forma, o uso de peles vem da Roma antiga, quando os gladiadores usavam peles pesadas de animais que eles haviam tirado a vida, como sinônimo de poder e força, isto lhes garantia certa nobreza entre os lutadores, sendo que aqueles que usavam peles de animais mais ferozes eram mais temidos.

            Vemos que como a história evolui, a moda, da mesma forma, deve evoluir no modo de vestir e pensar . Como em tudo na vida, a moda também deve ter limites éticos e lançar não só tendências de como se vestir, mas também como pensar, dentro de uma ética sustentável e sustentada.

            Na Roma antiga não se falava em extinção de animais, hoje temos problemas gravíssimos de extinção de espécies, estamos lutando para preservar espécimes, unidades de animais, em situação grave de risco de extinção, já que as espécies dificilmente serão possíveis de evitar sua eliminação da terra, muito por causa da matança indiscriminada dos homens, muitas vezes, para satisfazer a sagacidade de compor peças de roupas que, inconscientemente, a moda triste busca como nobre.

            A moda é composta por pessoas inteligentes e super criativas, tornando desnecessário o uso de partes de corpos, o que de fato são mesmo,  para serem consideradas como “chic” , diferenciando as classes sociais, como se fazia na época imperial. Hoje existem tecidos e materiais sintéticos que muito bem fazem esse papel, podendo ser utilizados como motivos para não esquecermos o tema da preservação da fauna, faltando a estes grandes estilistas atitude renovadora, como utilizar o uso destas peças sintéticas como mote na proteção animal, repassando parte da verba do uso destas peças para as Organizações não Governamentais que de forma franciscana agasalham o ideal de bem estar animal e abrigam, muitas vezes sem recursos financeiros, animais provenientes do tráfico e desta matança indiscriminada.

            As ONG’s de proteção animal fazem um trabalho excepcional, nas manifestações públicas de repúdio pelo uso de peles e demais partes de animais, como pelos e penas, mas não é o bastante. Hoje temos a necessidade de uma consciência social nacional para darmos e exemplo de proteção animal, cabendo a estes estilistas um papel crucial na proteção animal, não mais lançando moda ou copiando moda triste da Europa, mas lançando tendências nacionais com incentivos a entidades de proteção animal que atuam dando suporte ao Estado ( IBAMA), para preservar, ao menos, alguns espécimes, já que o Estado mesmo não dispõe de local apropriado para garantir o bem estar destes animais, faltando uma política pública séria a ser implantada.

            Não obstante, o que vemos pelas autoridades públicas é um total desinteresse pela causa ambiental, principalmente a causa animal, acompanhada pela moda que vem a cada ano se repetindo de forma absolutamente previsível e desanimadora, restando-nos a esperança do surgimento de alguém na seara da moda que tenha idéias conservacionistas e busque lançar tendências mais éticas e protecionista da vida no planeta.

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